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Capítulo 4 de 6

1Ela é o livro dos mandamentos divinos e a Lei que subsiste para todo o sempre. Todos aqueles que a seguem adquirirão a vida, e os que a abandonam morrerão.

2Volta para ela, Jacó, abraça-a. Caminha ao seu encontro, ao esplendor da sua luz.

3Não entregues a outros esta glória, nem relegues esta salvação à nação estrangeira.*

4Ditosos somos nós, Israel, porque a nós foi revelado o que agrada a Deus!

5Coragem, povo meu, que trazeis o nome de Israel!

6Fostes, em verdade, vendidos aos pagãos, não, porém, para serdes aniquilados. Por haverdes desencadeado a cólera divina é que fostes entregues aos inimigos.

7Havíeis exasperado vosso Criador, ofertando sacrifícios aos demônios e não a Deus.

8Esquecestes o vosso Criador, o Deus eterno, e contristastes Jerusalém, vossa nutriz.

9Esta viu precipitar-se sobre vós a ira divina, e clamou: “Escutai, vizinhas de Sião! Fez-me Deus suportar cruel tormento.

10Assisti à deportação de meus filhos e filhas, que o Eterno lhes infligiu.

11Eu os educara com alegria e fui obrigada a deixá-los partir com lágrimas de luto.

12Que ninguém se regozije com minha viuvez e meu desamparo! Por causa dos pecados de meus filhos vivo desolada, já que se afastaram da Lei de Deus,

13negligenciando seus mandamentos, afastando-se dos caminhos de seus preceitos e não seguindo a vereda da disciplina segundo sua justiça.

14Vinde, vizinhas de Sião! Pensai na deportação de meus filhos e filhas, que o Eterno lhes infligiu.

15Lançou contra eles um povo longínquo, povo insolente, de linguagem bárbara, sem respeito pelo ancião, sem piedade para com o pequenino.

16Roubou à viúva os bem-amados, deixando-me sozinha, sem as minhas filhas”.

17E que posso eu fazer por vós?*

18Somente aquele que vos infligiu estes males pode salvar-vos das mãos de vossos inimigos.

19Ide, filhos meus! Ide! Quanto a mim, permanecerei na solidão.

20Tirei minhas vestes dos dias de paz para revestir-me do saco dos suplicantes. Até meu último dia invocarei o Eterno.

21Coragem, meus filhos! E vós também orai a Deus, a fim de que vos salve da mão poderosa de vossos inimigos!

22Do Eterno espero a vossa libertação, espero que do Santo me venha a alegria, pela misericórdia que breve vos será concedida pelo Eterno, vosso Salvador.

23Entre lágrimas e coberta de luto deixei-vos partir... Deus, porém, vos devolverá a mim para uma eterna alegria,

24porque as vizinhas de Sião, que viram a vossa deportação, verão em breve Deus conceder-vos a libertação, seguida de imensa glória e de fulgor emanando do Eterno.

25Suportai, filhos meus, com paciência o golpe da cólera divina. Fostes perseguidos por vossos inimigos; em breve, porém, assistireis à sua ruína, e sobre suas cervizes poreis os pés.

26Meus delicados filhos tiveram de andar por ásperos caminhos, acossados, qual rebanho roubado pelo inimigo.

27Coragem, porém, meus filhos. Orai a Deus, pois aquele que vos feriu, se lembrará de vós!

28Quisestes apartar-vos de Deus; ponde agora dez vezes mais zelo em procurá-lo.

29Porquanto, aquele que sobre vós precipitou a catástrofe vos concederá, com a libertação, eterno regozijo.

30Coragem, Jerusalém! Aquele que te deu o nome te consolará.*

31Miseráveis os que te maltrataram, e que se regozijaram com tua ruína!

32Miseráveis as cidades em que teus filhos conheceram a servidão, miserável aquela que conservou teus cativos!

33Em verdade, assim como se regozijou com tua queda, e triunfou, quando de tua ruína, assim também vai gemer com a própria desolação.

34Aniquilarei a altivez de sua numerosa população, e sua arrogância se transformará em luto,

35porque um fogo constante, vindo do Eterno, a atingirá e gênios maus vão persegui-la por muito tempo.

36Jerusalém, volta o teu olhar para o Oriente, vê a alegria que te vem de Deus.

37Olha! Eis que voltam os filhos que viras partir. Chegam do Oriente e do Ocidente, à voz do Altíssimo, repletos da alegria que lhes dá a glória de Deus.