EsterSelecionar outro livro


Capítulo 14 de 16

1Por sua parte, a rainha Ester, tomada de uma angústia mortal, recorreu ao Senhor.

2Depôs suas vestes suntuosas e vestiu-se com roupas de aflição e de luto. No lugar de essências preciosas, cobriu a cabeça com cinzas e poeira. Afligiu duramente seu corpo e por todos os lugares onde costumava alegrar-se espalhou os cabelos que se arrancava.

3Dirigiu esta prece ao Senhor, Deus de Israel: “Meu Senhor, nosso Rei, assisti-me no meu desamparo, porque não tenho outro socorro senão vós

4e o perigo que me ameaça eu o toco já com as mãos.

5Aprendi desde a infância, no seio da minha família, que vós, Senhor, tendes escolhido Israel entre todas as nações e nossos pais entre todos os seus antepassados, para deles fazer vossa herança perpétua e que tendes executado todas as vossas promessas.

6Agora pecamos na vossa presença e nos tendes entregado nas mãos de nossos inimigos,

7por termos adorado seus deuses. Vós sois justo, Senhor!

8Ora, presentemente não lhes basta a amargura de nossa escravidão, mas colocaram suas mãos sobre as mãos dos ídolos,

9em sinal de que querem abolir o que vossos lábios decretaram, aniquilar vossa herança, fechar a boca daqueles que vos louvam, extinguir a glória de vosso templo e de vosso altar,

10a fim de proclamar pela boca dos povos pagãos o poder de seus ídolos e de magnificar eternamente um rei de carne.

11Ó Senhor, não entregueis vosso cetro àqueles que não existem! Que eles não se riam de nossa ruína! Fazei cair sobre eles o seu projeto e tornai um exemplo para todo aquele que por primeiro nos atacou.

12Lembrai-vos de nós, Senhor! Mani­festai-vos no dia da tribulação! Dai-nos coragem, Senhor, Rei dos deuses e domi­nador de todo principado!

13Colocai em seus lábios palavras prudentes na presença do leão e fazei passar seu coração para o ódio daquele que nos é hostil, a fim de que ele pereça, ele e todos os seus parceiros.

14E a nós, que a vossa mão nos livre! Assisti-me no meu abandono, a mim que não tenho senão a vós, Senhor. Conheceis tudo:

15sabeis que detesto a glória dos ímpios e que tenho horror ao leito dos incircuncisos e estrangeiros.

16Conhe­ceis a necessidade a que estou reduzida e como abomino a insígnia da dignidade que está sobre minha cabeça nos dias em que devo aparecer em público. Sim, eu a abomino como um pano manchado e não a levo nos dias de meu retiro.

17Vossa serva não comeu à mesa de Amã, nem honrou com sua presença os banquetes do rei, nem bebeu o vinho das libações.

18Jamais, desde o dia de sua elevação até hoje, vossa serva não experimentou alegria a não ser em vós, Senhor, Deus de Abraão.

19Ó Deus, que sois poderoso sobre todas as coisas, ouvi a voz daqueles que não têm outra esperança; livrai-nos das mãos dos malvados e livrai-me de minha angústia”.