II MacabeusSelecionar outro livro


Capítulo 1 de 15

1Aos nossos irmãos judeus que es­tão no Egito, saudações! Seus irmãos, os judeus residentes em Jerusalém e no país de Judá, desejam-lhes paz venturosa.

2Deus vos cumule de bens e se lembre de sua aliança com Abraão, Isaac e Jacó, seus fiéis servidores.

3Que ele disponha vossa alma à piedade e à observância dos seus mandamentos com um coração generoso e ânimo resoluto.

4Que ele abra vosso coração à sua Lei e aos seus preceitos e que vos estabeleça na paz!

5Que ele escute vossas súplicas, reconcilie-se convosco e não vos abandone nas provações!

6Nós, daqui, rezamos por vós.

7Sob o reinado de Demétrio, no ano cento e sessenta e nove, nós, judeus, vos escrevemos na tribulação e na aflição em que nos achávamos nessa época, desde o dia em que Jasão e seus partidários abandonaram a terra santa e seu reino.*

8A porta do templo foi incendiada e derramado o sangue inocente. Então, suplicamos ao Senhor e ele nos ouviu. Oferecemos sacrifício e flor de farinha. Acendemos as lâmpadas e expusemos os pães.*

9Celebrai, portanto, agora, a festa da cenopégia no mês de Casleu.* No ano cento e oitenta e oito.

10Os habitantes de Jerusalém e da Judeia, o senado e Judas, a Aristóbulo, conselheiro do rei Ptolomeu, da linhagem dos sacerdotes consagrados, como também aos judeus do Egito, saudações e votos de boa saúde!*

11Salvos por Deus de inauditos perigos, nós lhe rendemos grandes ações de graças, porque tivemos um rei a combater.

12Mas Deus rejeitou aqueles que haviam atacado a cidade santa.

13Seu chefe, chegado à Pérsia com um exército aparentemente invencível, pereceu no templo de Naneia, vítima de um ardil dos sacerdotes da deusa.

14Com razão, sob pretexto de esposar aquela, chegou com seus amigos para apoderar-se de suas riquezas, a título de dote.

15Os sacerdotes expuseram o tesouro, e ele mesmo, com alguns dos seus, penetrou no recinto sagrado, enquanto eles fechavam as portas.

16Mas, quando Antíoco entrou no interior, abriram uma porta secreta na abóbada e esmagaram o príncipe sob uma saraivada de pedras. Esquartejaram, em seguida, os corpos e degolaram as cabeças, lançando-as aos que estavam do lado de fora.

17Louvado seja nosso Deus em todas as coisas, porque entregou os ímpios à morte!

18Em vésperas de celebrarmos, dia vinte e cinco de Casleu, a purificação do templo, julgamos oportuno certificar-vos disso, a fim de que vós também celebreis a festa da cenopégia e a comemoração do fogo que apareceu quando Neemias ofereceu o sacrifício, após ter reconstruído o templo e o altar.

19Na verdade, quando nossos pais foram levados à Pérsia, os sacerdotes de então, inflamados de piedade, tomaram secretamente o fogo sagrado do altar e o esconderam no fundo de um poço seco, onde eles o ocultaram tão cuidadosamente, que o lugar permaneceu desconhecido de todos.

20Decorreram muitos anos e, quando aprouve a Deus, Neemias, salvo pelo rei da Pérsia, enviou, para retomar o fogo, os descendentes dos próprios sacerdotes que o haviam ocultado. Ora, segundo a explicação que eles nos deram, não encontraram o fogo, mas um líquido espesso.*

21Neemias ordenou-lhes que o tirassem e o trouxessem. Uma vez preparada a matéria do sa­crifício, disse Neemias aos sacerdotes que derramassem a água sobre a madeira e sobre o que estava ali colocado.

22A ordem foi executada, e veio o momento em que o sol, a princípio recoberto por nuvens, pôs-se a brilhar; então um grande fogo se acendeu e maravilhou todos os espectadores.

23Enquanto se consumia o sacrifício, os sacerdotes puseram-se a rezar, e todos rezavam com eles. Jônatas entoava e os outros, inclusive Neemias, juntavam sua voz à dele.

24Eis a oração: “Senhor, Senhor Deus, criador de todas as coisas, temível e forte, justo e misericordioso, que sois o rei único e bom,

25único generoso, único justo, Todo-poderoso e eterno, vós que salvastes Israel de todo mal, que fizestes de nossos pais vossos escolhidos e os santificastes,

26aceitai este sacrifício, oferecido por todo o vosso povo de Israel; guardai vossa parte de eleição e santificai-a.

27Congregai nossos irmãos dispersos, devolvei a liberdade aos que estão escravizados entre os pagãos, deitai vosso olhar sobre os que são desprezados e abominados, para que as nações saibam que sois nosso Deus.

28Castigai os que nos oprimem e nos ultrajam com seu orgulho.

29Plantai, como disse Moisés, vosso povo na vossa terra santa”.*

30Os sacerdotes então cantaram hinos ao som da harpa.

31Quando foi consumido o sacrifício, Neemias mandou que se espalhasse o líquido restante sobre grandes pedras.

32Feito isso, uma chama se acendeu, mas se consumiu, enquanto o fogo que se erguia no altar continuava a brilhar.

33O acontecimento foi logo divulgado, e contaram ao rei da Pérsia que era no lugar, onde os sacerdotes levados ao cativeiro tinham ocultado o fogo sagrado, que havia aparecido a água com a qual Neemias e seus companheiros obtiveram o fogo purificador das oferendas.

34Ordenou o rei que se murasse o lugar e o considerassem como sagrado, após ter se certificado da exatidão do acontecido.

35O rei tinha por hábito tomar posse de muitas coisas, das quais dava uma parte a quem ele queria ser agradável.

36Os companheiros de Neemias chamaram isso de neftar, que quer dizer purificação, mas a maioria o chama de nafta.