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Capítulo 8 de 28

1Tendo Jesus descido da montanha, uma grande multidão o seguiu.

2Eis que um leproso aproximou-se e prostrou-se dian­te dele, dizendo: “Senhor, se queres, podes curar-me”.

3Jesus estendeu a mão, tocou-o e disse: “Eu quero, sê curado”. No mesmo instante, a lepra desapareceu.

4Jesus então lhe disse: “Vê que não o digas a ninguém. Vai, porém, mostrar-te ao sacerdote e oferece o dom prescrito por Moisés em testemunho de tua cura”.*

5Entrou Jesus em Cafarnaum. Um centu­rião veio a ele e lhe fez esta súplica:

6“Senhor, meu servo está em casa, de cama, paralítico, e sofre muito”.

7Disse-lhe Jesus: “Eu irei e o curarei”.

8Respondeu o centurião: “Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha casa. Dizei uma só palavra e meu servo será curado.

9Pois eu também sou um subordinado e tenho soldados às minhas ordens. Eu digo a um: “Vai, e ele vai; a outro: Vem, e ele vem; e a meu servo: Faze isto, e ele o faz...”.*

10Ouvindo isto, cheio de admiração, disse Jesus aos presentes: “Em verdade vos digo: não encontrei semelhante fé em ninguém de Israel.

11Por isso, eu vos declaro que multidões virão do Oriente e do Ocidente e se assentarão no Reino dos Céus com Abraão, Isaac e Jacó,

12enquanto os filhos do Reino serão lançados nas trevas exteriores, onde haverá choro e ranger de dentes”.*

13Depois, dirigindo-se ao centurião, disse: “Vai, seja-te feito conforme a tua fé”. Na mesma hora o servo ficou curado.

14Foi então Jesus à casa de Pedro, cuja sogra estava de cama, com febre.

15Tomou-lhe a mão, e a febre a deixou. Ela levantou-se e pôs-se a servi-los.

16Pela tarde, apresentaram-lhe muitos possessos de demônios. Com uma palavra expulsou ele os es­píritos e curou todos os enfermos.

17Assim se cumpriu a predição do pro­feta Isaías: Tomou as nossas enfermidades e sobrecarregou-se dos nossos males (Is 53,4).

18Certo dia, vendo-se no meio de grande multidão, ordenou Jesus que o levassem para a outra margem do lago.

19Nisso aproximou-se dele um escriba e lhe disse: “Mestre, eu te seguirei para onde quer que fores”.

20Respondeu Jesus: “As raposas têm suas tocas e as aves do céu, seus ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde repousar a cabeça”.

21Outra vez um dos seus discípulos lhe disse: “Senhor, deixa-me ir primeiro enterrar meu pai”.*

22Jesus, porém, lhe respondeu: “Segue-me e deixa que os mortos enterrem seus mortos”.

23Subiu ele a uma barca com seus discípulos.

24De repente, desencadeou-se sobre o mar uma tempestade tão grande, que as ondas cobriam a barca. Ele, no entanto, dormia.

25Os discípulos achegaram-se a ele e o acordaram, dizendo: “Senhor, salva-nos, nós perecemos!”.

26E Jesus perguntou: “Por que este medo, gente de pouca fé?” Então, levantando-se, deu ordens aos ventos e ao mar, e fez-se uma grande calmaria.

27Admirados, diziam: “Quem é este homem a quem até os ventos e o mar obedecem?”.

28No outro lado do lago, na terra dos gada­re­nos, dois possessos de demônios saíram de um cemitério e vieram-lhe ao encontro. Eram tão furiosos que pessoa alguma ousava passar por ali.

29Eis que se puseram a gritar: “Que tens a ver conosco, Filho de Deus? Vieste aqui para nos atormentar antes do tempo?”.

30Havia, não longe dali, uma grande manada de porcos que pastava.

31Os demônios imploraram a Jesus: “Se nos expulsas, envia-nos para aquela manada de porcos.” –

32“Ide” – disse-lhes. Eles saíram e entraram nos porcos. Nesse instante, toda a manada se precipitou pelo declive escarpado para o lago, e morreu nas águas.

33Os guardas fugiram e foram contar na cidade o que se tinha passado e o sucedido com os endemoninhados.

34Então, a população saiu ao encontro de Jesus. Quando o viu, suplicou-lhe que deixasse aquela região.